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  • Por Maia Miriam

ANA CAÑAS - Auditório Ibirapuera - SP


foto de Andressa Araújo

Um “Coração Inevitável” com Ana Cañas

22 de junho de 2014.

Quando a luz vermelha invade o palco, enchendo os olhos, é o momento em que um clima ainda tímido se aproxima, convidando cada um a se preparar para o que está por vir. Entram os músicos e, logo em seguida, vem ela; pés descalços, vestido preto e longo, elegante e sensual, na medida certa, assim como toda a composição de seu palco, acompanhada por uma guitarra que já demonstra que vem algo forte por aí. Ela se posiciona e começa uma capela, arranhando cuidadosamente os acordes do instrumento, e então, solta espontaneamente: “Errei gente, posso entrar de novo?” Sai rindo e retorna ao palco para iniciar corretamente, dentro dos tons certos, o seu show.

Não, por incrível que possa parecer, não foi constrangedor, pelo contrário, a naturalidade com que Ana se mostrou em todos os momentos do show, fez com que cada desajuste que possa ter acontecido se parecesse até com algo quase planejado, ela, sua voz, sua música, a harmonia e toda sua verdade, despidas, descalços, ali, diante de seu público, uma mistura de nervosismo por estar diante de uma casa cheia e público ansioso, junto a uma extrema alegria por dividir seu dom, seu som, sua arte com cada um naquela noite.

foto de Andressa Araújo

Ana Cañas entrou no Auditório Ibirapuera mostrando seu crescimento profissional, diante de tudo que viveu em seus 10 anos de carreira e entregando à todos tudo o que pôde fazer de melhor, ela traz na composição de seu show, uma mistura intimista e envolvente de poemas recitados com extrema sensibilidade, interpretações viscerais de cada canção e um repertório incrível, que passa por Edith Piaf “La Vie em Rose”, “Rock and Roll” Led Zeppelin, Cazuza com “Blues da Piedade” além de suas músicas autorais e parcerias que vão dando um toque único para a noite.

A cada canção ela se entrega de uma forma primordial na mistura de sua interpretação com sua voz que vai do agudo bem colocado ao grave e alguns trejeitos que enriquecem o arranjo musical.

Sempre que finaliza uma música ela se mostra saltitante, irradiando uma alegria que traz um ar juvenil, como se comemorasse a cada acerto dentro de seu show, muitas vezes até demonstrando isso com uma palavra ou outra trocada com o público e, nesses momentos, Ana deixa expresso seu bom humor, levando o público aos risos em muitos momentos, risos apenas por ver expresso no palco o jeito natural que ela se mostra e se deixa notar.

Divertido, sensível, sensual, encantador; tudo no show acontecendo em meio a um jogo de luz impecável no palco, iluminação que, inclusive, é uma produção do mestre Ney Matogrosso, que contribuiu muito para o climax alcançado durante toda a noite, além da harmoniosa e excelente atuação da banda composta por Faba Jimenez (guitarra), Fábio Sá (Baixo), Alex Fonseca (Bateria), Cauê Silva (Percussão) e Ricardo Prado (Teclados). O show se estendeu por mais de uma hora, finalizando com um linda surpresa no final, onde o palco do Auditório se abre ao fundo deixando à mostra, durante a última música, as arvores e cenário natural do Parque Ibirapuera, momento excepcional.

Ana Cañas apresenta o “Coração Inevitável” e prova que inevitável é não sair de seu show sem um coração cheio, encantado.

 

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